Noticias em Tempo Real - Política - Cidadania

Por nove votos favorável e dois contrário Câmara Legislativa da carta branca a executivo para desviar mais de 4 milhões de reais

Os vereadores da oposição explicam que não foram contra o projeto de construção das escolas e sim contra o fracionamento dos recursos para o EXECUTIVO e REFORMA DE ESCOLAS.

Pela 2ª vez:Vereadora Edneuza Lafaiete na bronca com atitudes de desrespeito do Secretário de Agricultura de Lagoa Grande, Olavo marques

E ela ainda alfinetou: “Não tem nenhuma ação do governo atual não… eles que comecem a mostrar as ações deles”.

Aprovado projeto que cria profissão de vaqueiro

O texto define o vaqueiro como profissional responsável pelo trato, manejo e condução de animais como bois, búfalos, cavalos, mulas, cabras e ovelhas.

Presidente do PT de Pernambuco, Pedro Eugênio defende candidatura própria no Estado

Devemos trabalhar com candidatura própria, afirma o deputado Pedro Eugênio, presidente do PT pernambucano.

PSB incomodado com Bezerra Coelho

Diversos socialistas estranharam a posição do ministro em fazer defesa pública das obras da Transposição do São Francisco.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Menina de dez anos recebia R$ 0,50 para fazer sexo com cinco homens, diz polícia do Piauí

A prisão de seis homens ocorrida na última quarta-feira (12) pôs fim ao drama de uma menina de dez anos que vinha sendo estuprada por cinco deles e agredida pelo pai desde janeiro deste ano, na cidade de Bertolínea (386 km de Teresina).

A denúncia das violências sexuais partiu do conselho tutelar da cidade, que repassou o caso para ser investigado pelas delegacias municipal e regional de Uruçaí, responsáveis por Bertolínea.

O pai da menina será indiciado por facilitar as ações e agredir a filha. Os outros cinco homens vão responder por estupro de vulnerável.

O delegado titular da Polícia Civil em Uruçuí, Matheus Zanatta, disse que, em depoimento, a menina contou que fugia de casa devido às agressões sofridas pelo pai e era aliciada pelos cinco homens, que pagavam entre R$ 0,50 e R$ 2 para ter relação sexual com a criança.

Eles se valiam da idade da menina e a colocavam para dentro de suas casas, onde aconteciam os atos. Para que a menina não contasse sobre os abusos, eles davam dinheiro. Dentre os presos estão homens casados, com filhos e até netos”, disse Zanatta.

Quatro homens estão presos na Penitenciária Penitenciara Gonçalo de Castro Lima, localizada no município de Floriano.

Os outros dois – um doente mental, de 35 anos, foi encaminhado para o manicômio penitenciário, e um deficiente físico, 75, está em prisão domiciliar devido à idade e as condições físicas. Os demais acusados têm idade entre 50 e 55 anos.

Há cerca de três meses, o pai perdeu a guarda da menina, que está em um abrigo de menores em Teresina até que o MP (Ministério Público Estadual) defina o local em que ela vai morar, pois a mãe da criança mora em São Paulo.

O inquérito está quase pronto, e quando efetuamos as prisões levamos todos para serem interrogados pelo juiz da cidade. Apesar de eles negarem, temos provas consistentes dos crimes, como depoimentos da vítima, além do exame de conjunção carnal que apontou que violências sexuais ocorreram várias vezes”, disse o delegado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Em Paris, Lula fala em candidatura e critica a imprensa

Ex-presidente discursa durante mais de uma hora e diz esperar voto de empresários, se um dia voltar a ser candidato; petista também ataca imprensa e afirma que mídia não destaca acusações contra banqueiros

O ex-presidente Lula discursa no encerramento do Fórum pelo progresso social, em Paris Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Protegido por um forte esquema de segurança, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou pública e longamente nesta quarta-feira pela primeira vez, desde as novas denúncias de Marcos Valério que o envolvem diretamente no esquema do mensalão. E, um dia após a revelação do conteúdo do depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público, o ex-presidente afirmou que, se um dia voltar a ser candidato, quer o voto dos empresários. Ressaltou que os empresários não votaram nele por “medo”, mas que nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo.

- Espero que um dia, se voltar a ser candidato, eu tenha o voto deles - afirmou.

Na palestra, dedicou-se, porém, a discorrer sobre a crise econômica mundial, no Fórum pelo Progresso Social, em Paris. No final de sua apresentação de uma hora e 20 minutos, fez, aparentemente, uma referência ao destaque que a imprensa vem dando ao recente depoimento de Valério à Procuradoria Geral da República:

- Quando político é denunciado, a cara dele sai nos jornais. Sabe por que banqueiro não aparece? Porque é ele quem paga a publicidade dos jornais - afirmou.

Apesar da declaração de Lula - que em seus dois governos propiciou um lucro líquido recorde do setor bancário, de R$ 199 bilhões, numa amostra de nove bancos de 2003 a 2010, em valores corrigidos para 2011 -, o país já presenciou a punição de banqueiros em casos amplamente divulgados pela mídia.

Um deles envolveu Ângelo Calmon de Sá, ex-dono do Econômico, em 1995, quando o Banco Central decretou intervenção na instituição. Em 2007, a Justiça Federal condenou o banqueiro a 13 anos e quatro meses de prisão por crime contra o sistema financeiro. Em 2000, foi preso Salvatore Cacciola, ex-dono do Marka, socorrido pelo Banco Central em 1999. Cacciola fugiu para Roma, mas acabou preso novamente em 2007 e deportado. Em 2006, Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, foi preso com o filho após serem condenados a 21 e a 16 anos de prisão, respectivamente, por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. E em 2008, Daniel Dantas, dono do Opportunity, foi detido por supostos crimes financeiros e tentativa de subornar um delegado federal da Operação Satiagraha.

Lula também fez um resumo dos seus oito anos de governo. E se desculpou antecipadamente por beber muita água durante a fala:

- Confesso que tenho um problema de tomar muita água. Porque, depois do câncer, tenho um edema na garganta que não está 100% curado. Tomo água exageradamente.

Lula contou um pensamento que teve em 2002, ao subir pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto como presidente:

- Perdi tanta eleição, tanta eleição, que, num dia, o povo brasileiro, com dó de mim, me elegeu. Os meus adversários, sobretudo no campo da sociologia, até votaram em mim.

Achavam que eu iria fracassar, e eles poderiam voltar ao poder. Mas a História os enganou. E eu, muito mais.

Okamotto questiona depoimento de Valério

Presente no evento, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, questionou a validade da divulgação do depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público.

- Pelo que eu entendi, essas informações foram obtidas de forma ilegal. Perguntei de onde vieram, e me responderam: “Um jornalista conseguiu lá no Ministério Público”. E como conseguiu? “Ah, uma fonte”. É um material roubado. Se é que existe, foi obtido ilegalmente, e aí não vou ler. Mas se foi dado pelo Ministério Público, vou ler. Se tiver algo relacionado a mim, vou me manifestar no Brasil se for o caso – disse.

Na agenda do ex-presidente Lula ainda constava um jantar com o presidente da Assembleia Nacional francesa, o socialista Claude Bartolone, na noite desta quarta-feira. Na manhã desta quinta-feira Lula viajará para Barcelona, onde receberá o Prêmio Internacional Catalunha 2012 pela política de crescimento econômico justo de seu governo frente à globalização, dotado de € 80 mil. À noite, o ex-presidente embarcará de volta para o Brasil.

Petistas cogitam não ter candidato à Presidência em 2018

Depois de detectar os movimentos do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que tem planos reais de chegar ao Palácio do Planalto, petistas começaram a admitir a possibilidade de não ter um candidato nas eleições presidenciais de 2018. Desgastada com o escândalo do mensalão, que levou a cúpula do PT a ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e mais recentemente manchada pelas investigações da Operação Porto Seguro, a legenda iniciou consultas internas para medir a viabilidade de apenas formar parte de uma coligação majoritária.

A resistência entre os petistas ainda é grande, mas já há ministros do partido defendendo a ideia junto a militantes. Uma das hipóteses é apoiar as pretensões de Campos ao cargo máximo da República. “Se não oferecermos aos aliados uma perspectiva eles vão acabar seguindo outro caminho”, disse uma fonte que participa das negociações.

Nos planos eleitorais para 2018, o ex-presidente Lula teria o papel, por exemplo, de negociar com Eduardo Campos para mantê-lo como aliado no pleito de 2014, quando a presidente Dilma Rousseff deve disputar a reeleição, além de trabalhar para uma espécie de “refundação” do PT. Pelos projetos petistas, Lula e a cúpula do partido devem negociar fortemente com Eduardo Campos e garantir perspectivas claras ao PSB caso a legenda aceite ser apenas aliada em 2014 e não lance nome próprio na disputa.

Atualmente o partido controla o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria Especial de Portos, mas se considera sub representado no primeiro escalão do governo federal. A partir do ano que vem, o ex-presidente Lula pretende fazer caravanas por todo o país para construir as bases da candidatura de Dilma, além de tentar defender o legado, maculado por sucessivos escândalos políticos.

ONU constata que tráfico de seres humanos atinge principalmente mulheres e crianças

De 2007 a 2010, 27% das vítimas de tráficos foram crianças, segundo relatório feito pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc). Pelo menos 55% das pessoas traficadas são mulheres e o percentual chega a 75% quando somadas as meninas. Dos 132 países analisados, 118 apresentaram dados relativos ao tráfico humano.

O diretor executivo do Unodc, Yury Fedotov, cobrou providências das autoridades. Segundo ele, é necessário dar uma “resposta enérgica” baseada na assistência e proteção, assim como um sistema de Justiça eficiente.

O texto menciona o Brasil elogiando a política de combate ao tráfico de seres humanos. Pelos dados, 2.639 casos de escravidão foram investigados e 1.789 aguardam decisão. Pelo menos 499 casos de exploração sexual foram apurados, embora 109 ainda esperem definição. De acordo com o relatório, o número de ações caiu de 114, em 2007, para 78, em 2010.

Segundo o Unodc, há diferenças regionais. Na África e Oriente Médio, as crianças representam 68% dos casos de tráfico de seres humanos. No Sul da Ásia, na Ásia Oriental e no Pacífico, o índice é 39%, diminuindo para 27% nas Américas e 16% na Europa e Central Ásia.

O Relatório Global 2012 sobre Tráfico de Pessoas aponta preocupações com os baixos índices de punição, pois 16% dos países analisados não registraram condenação por tráfico de pessoas entre 2007 e 2010. Os dados completos sobre a pesquisa estão na página do Unodc na internet.

Ipojuca tem o segundo maior PIB de Pernambuco

Porto de Galinhas, a menina dos olhos de Ipojuca (Foto: Igo Bione/JC Imagem)

Ipojuca desbancou Jaboatão dos Guararapes da posição histórica de município com o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco, atrás apenas do Recife. O título de número dois no ranking é uma demonstração do dinamismo econômico da cidade que abriga o maior polo de atração de investimentos do Estado, ancorado pelo Complexo de Suape. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o PIB dos municípios em 2010. Já Petrolina foi o primeiro município do interior a despontar entre cinco maiores PIBs do Estado.

“O município de Ipojuca não deverá chegar a ultrapassar o PIB do Recife, mas a perspectiva é de um crescimento expressivo nos próximos anos. Nesse resultado de 2010 já aparece a importância do Complexo de Suape, com os impactos da operação de grandes empreendimentos, a exemplo do Estaleiro Atlântico Sul (EAS)”, observa o diretor de estudos e pesquisas socioeconômicas da Agência de Planejamento de Pernambuco (Condepe/Fidem), Rodolfo Guimarães. Quando entrarem em funcionamento outros projetos estruturadores, como a Refinaria Abreu e Lima e a PetroquímicaSuape, o ritmo de crescimento será ainda mais acelerado.

Na comparação com 2009, Ipojuca ganhou oito posições nacionalmente (aparecendo em 60º lugar) e duas posições em âmbito regional, figurando como o número 11 do Nordeste. O PIB do município passou de R$ 6,88 bilhões para R$ 9,1 bilhões (quase um terço do recifense). A participação no PIB do Estado também saltou de 8,78% para 9,56%, enquanto Jaboatão saiu de 9,29% para 8,79%. O ganho de posição foi impulsionado pela indústria de transformação, comércio e serviços prestados a empresas.

“Os municípios de Ipojuca e do Cabo de Santo Agostinho tendem a ter uma situação parecida às cidades baianas de Camaçari e São Francisco do Conde, onde um polo petroquímico e automotivo dinamizaram a economia a partir de indústrias de alto valor agregado”, compara Guimarães. Com população de 80 mil habitantes e forte concentração produtiva, Ipojuca mantém a posição de maior PIB per capita de Pernambuco e o 15º maior do Brasil. Na avaliação do economista, o Cabo que já conta com uma tradição industrial passa a ter uma participação importante também do setor de serviços. “O terciário será alavancado por moradias nobres, a exemplo da Reserva do Paiva que vai impulsionar serviços de educação, saúde, comércio e tantos outros”, diz.

Apesar de ter perdido posição para Ipojuca, o município de Jaboatão dos Guararapes registrou crescimento no PIB, que passou de R$ 7,2 bilhões para R$ 8,3 bilhões no período analisado. A cidade continua a se beneficiar da dinâmica da região sul do Estado, motivada por Suape.

FORÇA DO INTERIOR - Petrolina (Sertão do São Francisco) ganhou duas posições no ranking dos maiores PIBs de Pernambuco e alçou um município do interior ao Top 5, antes ocupado apenas por cidades metropolitanas. Olinda e Caruaru perderam lugar para Petrolina. “O ano de 2010 foi bastante positivo para o agronegócio na cidade. Os preços dos principais produtos agrícolas, como a manga e a uva, subiram e alavancaram o PIB municipal”, destaca Guimarães. A participação de Petrolina no PIB do Estado saiu de 2,96% para 3,31%, com valor subindo de R$ 2,3 bilhões para R$ 3,1 bilhões.

De Vargas a Dilma: o parto de um novo ciclo

Assim como as vantagens comparativas na economia, a relação de forças na sociedade não é um dado da natureza, mas uma construção histórica. E precisa ser exercida politicamente; não é uma fatalidade sociológica. A emergencia de novos atores nas entranhas da economia não cria automaticamente novos sujeitos históricos.Quem faz isso é a ação política.

Os neoclássicos, os neoliberais aqui e alhures, gostariam que o mapa das vantagens comparativas fosse um pergaminho lacrado e blindado em tanque de nitrogênio. Facilitaria a relação de forças favorável à hegemonia conservadora.


Por eles, o Brasil até hoje seria uma pacata fazenda de café. Ou uma usina de garapa.

Getúlio Vargas rompeu o interdito dos interesses internos e externos soldados na economia agroexportadora. Isso aconteceu em meados do século passado. Até hoje o seu nome inspira desconforto nos sucessores da casa grande; nos intelectuais que enfeitam seus saraus e nos 'canetas' que lhes servem de ventríloquos obsequiosos.

Em 1930 Vargas derrotou a todos. Desobstruiu assim os canais para lançar as bases de um Estado nacional digno desse nome.E abriu as portas a novos sujeitos históricos.

Em 50, no segundo governo, transformaria esse aparelho de Estado em alavanca capaz de assoalhar a infraestrutura da economia industrial que somos hoje.

Ao afrontar o gesso das vantagens comparativas , Vargas alterou a relação de forças na sociedade. Mas não tão sincronizado assim, nem tão solidamente assim, como se veria pelo desfecho em 24 de agosto de 54.

O desassombro daquele período, no entanto, distingue Nação brasileira de seus pares em pleno século XXI.

O Brasil é hoje uma das poucas economias em desenvolvimento que dispõe de uma planta industrial complexa.

A ortodoxia monetarista engordou a manada especulativa no pasto da Selic na década de 90 - o que valorizou o câmbio, a ponto de afogar o produto local em importações baratas até recentemente. Afetou o tônus da engrenagem fabril. Mas não a destruiu; ainda não a destruiu.

É ela ainda que poderá irradiar a inovação e a produtividade reclamadas pelo passo seguinte do nosso desenvolvimento. Não só para multiplicar empregos com salários dignos. Mas sobretudo, para extrair do pré-sal o impulso industrializante e tecnológico que ele enseja, gerando os fundos públicos requeridos à tarefa da emancipação social brasileira.

Não fosse o lastro fabril, a potencialidade do pré sal não apenas seria desperdiçada, terceirizada e rapinada. Ela conduziria a um duplo salto mortal feito de fastígio imediatista e longa necrose econômica: aquela decorrente da doença holandesa e da dependência externa absoluta. Faria pior: devastaria a relação de forças adequando-a ao domínio conservador.

Foi a industrialização que gerou a organização operária desdenhada pelo conservadorismo como mero ornamento populista.Até que surgiu o PT. E que o PT levou um metalúrgico à chefia da Nação; e não uma vez, duas; ademais de eleger a sua sucessora, em 2010.

Os protagonistas progressistas ganharam nervos e musculatura, mas ainda não se cumpriu a travessia evocada por Vargas no célebre discurso do 1º de Maio de 1954, talvez a sua fala mais contundente,mais até que a Carta Testamento deixada tres meses depois:

"A minha tarefa está terminando e a vossa apenas começa. O que já obtivestes ainda não é tudo. Resta ainda conquistar a plenitude dos direitos que vos são devidos e a satisfação das reivindicações impostas pelas necessidades (...) Como cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao vosso sufrágio a força decisória do número. Constituí a maioria. Hoje estais com o governo. Amanhã sereis o governo"

A seta do tempo não se quebrou. Mas estamos diante de uma nova esquina histórica.

A exemplo daquela enfrentada por Getúlio, nos anos 50, a dobra seca está cercada de desafios e potencialidades interligados por uma relação de forças delicada.

Getúlio talvez tenha percebido tarde demais a necessidade de ancorar a travessia econômica em uma efetiva organização política correspondente. Quando atinou, o bonde já havia passado --cheio de golpistas. Mas não só ele demorou a ouvir as advertências da perna econômica da história.

O descasamento tortuoso entre enredo e personagens daquele período pode ser sintetizado no paradoxal comportamento dos comunistas do Partido Comunista Brasileiro.

Em outubro de 1953 Vargas sancionou a lei do monopólio estatal do petróleo.Criou a Petrobrás sob o açoite da mídia.O jornal o 'Estado de São Paulo' faria então um editorial emblemático do obscurantismo conservador. O texto vaticinava a irrelevância daquele gesto, dada a incapacidade (congênita?) de um país pobre como o Brasil,asseverava, desenvolver um setor então de ponta, a indústria petroleira.

Era uma tentativa de conservar o país num formol de vantagens comparativas subordinadas à reação interna e ao apetite imperial externo.As semelhanças com a grita demotucana contra a regulação soberana do pré-sal não são mera coincidência.

Em dezembro, Vargas foi além. Atacou a farra das remessas de lucros do capital estrangeiro. No início de 1954 decretou em 10% o limite para as remessas de lucros e dividendos. Sucessivamente, criaria a Eletrobrás e elevaria em 100% o salário mínimo. Novo fogo cerrado de mísseis por parte da mídia e dos interesses contrariados. Lembra muito a reação atual a cada iniciativa do governo Dilma na transição para um novo modelo de desenvolvimento: queda da Selic; aperto no spread da banca; IOF contra o capital especulativo; mudança na regra da poupança --trava 'popular' do rentismo; forte incremento dos programas sociais; fomento do BNDES ao setor industrial; PAC; preservação do poder de compra dos salários etc

Em dezembro de 1953, conforme recorda o historiador Augusto Buonicore, o PCB abstraia a realidade e conclamava a resistência a...Vargas. Assim:

“O governo Vargas tudo faz para facilitar a penetração do capital americano em nossa terra, a crescente dominação dos imperialistas norte-americanos e a completa colonização do Brasil pelos Estados Unidos (...): “O povo brasileiro levantar-se-á contra o atual estado de coisas, não admitirá que o governo de Vargas reduza o Brasil a colônia dos Estados Unidos. O atual regime de exploração e opressão a serviço dos imperialistas americanos deve ser destruído e substituído por um novo regime, o regime democrático e popular”.

Isso quando a direita já escalava os muros do Catete e os jornais conservadores escalpelavam a reputação de quem quer que rodeasse o Presidente --e a dele próprio. Por todo o país ecoava o o alarido udenista pela renúncia ou golpe, que Vargas afrontaria com o suicídio, em 24 de agosto de 1954. Só o esquerdismo não ouvia.

Mutati mutandis, trata-se agora de inscrever no Brasil do século XXI uma revolução de infraestrutura e fomento industrial de audácia e desassombro equivalente a que Vargas esboçou há 58 anos.

Foi essa tarefa que Lula retomou no seu segundo governo, e Dilma aprofunda nos dias que correm.

Repita-se, não se trata de uma baldeação técnica.Não se faz isso dissociado de uma relação de forças correspondente. Essa travessia não é um dado da natureza, ela precisa ser construída.

Lula tirou 40 milhões de brasileiros da pobreza. Os novos protagonistas formam hoje a maioria da sociedade. Mas serão sujeitos de sua própria história? Fossem, a coalizão das togas midiáticas e o udenismo demotucano estariam fazendo o que fazem?

Urge que se avance na travessia da relação de forças. Essa é a tarefa que grita nas advertências dos dias que correm; nas investidas cada vez mais desinibidas das últimas horas. Elas não serão revertidas, à esquerda, com uma cegueira histórica equivalente a do PCB em 1953. Mas o governo também não pode mais fechar os olhos para o perigo que ronda a sua porta. Ele não será afrontado com o acanhamento amedrontado diante de palavras como 'engajamento', 'mobilização' e pluralismo midiático.

Se o que tem sido testado e assacado nas manchetes não é um ensaio para tornar insustentável o governo Dilma até 2014, então somos todos crédulos dos propósitos republicanos do senhor e senhora Gurgel, dos Barbosas & Fux e da escalada midiática que os pauta e ecoa.

Simples coincidência que a orquestra eleve o naipe dos metais exatamente quando solistas como a The Economist disparam setas de fogo contra o 'excessivo intervencionismo de Dilma' nos mercados?(Leia aqui: 'O Brasil perdeu o charme, diz o rentismo')

A resposta é não. E até para analistas insuspeitos de simpatias petistas, como o professor da FGV, ex-secretário da Fazenda de Mário Covas, Ioshiaki Nakano.

Trecho de seu artigo desta 3ª feira no jornal Valor:

"os especuladores financeiros, que tinham lucros fantásticos com simples arbitragem de juros, perderam 5,25 pontos da sua remuneração. Perderam mais, pois com o Banco Central administrando a taxa de câmbio e a Fazenda buscando a equalização da taxa de juros interna com a internacional por meio do IOF, a possibilidade de apreciação da taxa de câmbio, pela simples ação dos especuladores, desapareceu e, com isso, os ganhos acima do juros".

A 'expressão lucros fantásticos' não é ornato do texto. Estamos falando de uma longa sangria de bilhões de dólares embolsados automaticamente nos últimos anos, apenas com um giro do dinheiro barato tomado lá fora e aplicado a juros siderais no mercado brasileiro, de títulos públicos, sobretudo.

As perdas e danos gerados pela mudança na regra da jogatina justificam a advertência embutida no arremate do articulista moderado:" Reverter as expectativas de longo prazo e mudar as 'convenções' não é tarefa fácil".

Mais que uma tarefa difícil, é preciso repetir à exaustão,ela requer atores correspondentes. Engajados.

Para não desaguar em tragédia ou golpe, como tantas vezes na história, essa relação precisa ser construída com passadas largas, hoje maiores e mais velozes que as requeridas ontem.

Ou a transição econômica buscada pelo governo Dilma não ocorrerá.

À esquerda e aos movimentos sociais cabe sacudir a letargia burocrática e refletir sobre o desconcertante esquerdismo do PCB nos anos 50,quando os comunistas lutavam a batalha do dia anterior contra Vargas. E o golpe campeava escrito nas ruas, nas manchetes, nos discursos, nos astros, nos despachos e nas bulas. Só o esquerdismo não via,não lia, não reagia.

Ao governo petista cabe igualmente despir-se da esquizofrênica receita de ativismo econômico, de um lado, e alucinado menosprezo ao engajamento político, do outro.

Vargas que a vulgaridade conservadora reduziu a mero estancieiro gaucho empurrado pelas circunstâncias, até ele - se quiserem assim - pressentiu onde estava o coração da disputa pelo destino do seu governo e do país.

Eleito em 3 de outubro de 1950, logo em seguida incentivou Samuel Wainer, que conhecera como repórter dos “Diários Associados”, de Assis Chateaubriand, a criar um poderoso aparato de imprensa diária.

Queria pressa. Pediu a Wainer um antídoto ao que antevia, premonitoriamente, como 'um pacto de silêncio' da grande mídia contra seu governo, que dele "só trataria para denegrir".

A história não se repete. Mas 60 anos depois, Dilma --e o PT-- não tem mais o direito de ignorar as suas lições.

Entre outros atores emergentes do novo período encontra-se, por exemplo, a mídia progressista --esmagada e discriminada por critérios de audiência que perpetuam a 'vantagem comparativa' do dispositivo conservador na repartição das campanhas publicitárias federais de interesse público.Isso até Vargas já havia superado.

E não custa sugerir ainda: por que o governo não convoca uma Conferência Nacional,a exemplo daquelas temáticas e setoriais,mas desta vez sobre os novos rumos do desenvolvimento brasileiro? Uma grande mobilização com capilaridade local para discutir o país ao longo de todo ano de 2013 e desembocar em uma plenária histórica em Brasília, no segundo semestre de 2014? A ver.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Em novo ataque, Romário chama Dinamite de otário e recalcado

A polêmica entre Romário e o presidente do Vasco, Roberto Dinamite, está longe de ter um fim. Nesta terça-feira, o baixinho voltou a criticar a gestão do atual presidente do Vasco e chegou a dizer que o dirigente será "otário" e “recalcado” caso realmente retire a sua estátua de São Januário.

"Aquela estátua é, pra mim, um orgulho, uma honra. Foi colocada pela diretoria anterior por merecimento. Não está ali porque sou legal ou por amizade. Representa um momento bacana para mim. Inveja é arma de otário. Ele só mostraria que é um otário (se tirasse)”, disparou Romário, em entrevista reproduzida nesta manhã no jornal Extra. "Se ele tirar a estátua, vai mostrar o quanto é recalcado", completa.

Mais tarde, em sua conta oficial no Twitter, o baixinho criticou ainda mais a gestão de Dinamite na presidência do Vasco. Segundo o deputado federal, o Gigante da Colina corre risco de falir caso o atual mandatário siga em seu comando.

"Infelizmente, o atual presidente vai levar o Vasco, time de tanta glória, ao pior momento de sua história por incompetência administrativa. Um exemplo disso aconteceu ontem, um dos melhores goleiros do Brasil, Fernando Prass, deixou o clube com três meses de salário atrasado. A péssima administração tem levado o time à falência e o culpado-mor de tudo isso é este presidente", publicou.

O primeiro ataque de Romário à cúpula vascaína foi feito na última sexta-feira, logo após o seu filho, Romarinho, assinar contrato com o Brasiliense um dia após acertar sua rescisão com o time carioca. Irritado com o tratamento dado ao garoto nos juniores, o baixinho acusou Dinamite e o técnico Sorato de perseguição, disparando contra toda a diretoria do clube.

As críticas aumentaram ainda mais o mal-estar do ex-atacante dentro do Vasco. A relação de Romário com o time pelo qual marcou o milésimo gol de sua carreira já havia entrado em crise após o deputado federal cobrar dívida de R$ 50 milhões na justiça.

"O Vasco é muito maior do que essa m... de dívida. Se venderem três, quatro jogadores, me pagam. O Vasco vai quebrar é se o Roberto continuar na administração. Pergunte ao Juninho e ao Felipe se estão satisfeitos. É um m... de presidente. Não quero um real a mais do que me devem", disse ao Extra, garantindo que esta não é a motivação pelo qual tem criticado o presidente do clube.

Ao MP, Valério diz que amigo de Lula o ameaçou de morte

No depoimento em que afirma que dinheiro do mensalão pagou contas de Lula, operador do esquema diz que Okamotto foi claro: 'Ou se comporta, ou morre'

O empresário Marcos Valério: Lula sabia - e se beneficiou - do mensalão (CRISTIANO MARIZ)
No mesmo depoimento à Procuradoria-Geral da República em que afirmou que dinheiro do mensalão pagou despesas pessoais do ex-presidente Lula, o operador do esquema, Marcos Valério disse ainda ter sido ameaçado de morte por Paulo Okamotto, atual diretor do Instituto Lula e amigo do ex-presidente. "Se abrisse a boca, morreria", afirmou o empresário à PGR. As declarações de Valério foram publicadas na edição desta terça-feira do jornal O Estado de S. Paulo.

"Tem gente no PT que acha que a gente devia matar você", teria dito Okamotto a Valério, conforme as duas últimas das 13 páginas do depoimento prestado no dia 24 de setembro pelo operador do mensalão ao Ministério Público Federal. "Ou você se comporta, ou você morre", teria completado Okamotto. Valério disse à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e à procuradora Raquel Branquinho que foi "literalmente ameaçado por Okamotto". Procurado pelo jornal, o diretor do Instituto Lula não comentou o caso nesta segunda-feira.

Valério relatou que Okamotto o procurou pela primeira vez em 2005, dias depois da entrevista concedida pelo então presidente do PTB, Roberto Jefferson, em que o escândalo do mensalão era revelado. Okamotto disse, segundo Valério, que o procurava por ordem do então presidente Lula. Os dois teriam se encontrado primeiro na casa de Eliane Cedrola. Segundo Valério, uma diretora da empresa de Okamotto. O emissário de Lula teria pedido que Valério permanecesse em silêncio e não contasse o que sabia.

Da segunda vez, o encontro ocorreu na Academia de Tênis em Brasília, onde Okamotto se hospedava, conforme Valério. Foi nessa segunda conversa, cuja data não é mencionada, em que as ameaças expressas teriam sido feitas. Okamotto foi alvo da oposição durante as investigações do esquema do mensalão no Congresso Nacional. Na época, ele presidia o Sebrae e entrou na lista de investigados por ter pago uma dívida de 29.436,26 reais contraída por Lula em empréstimo feito junto ao PT. Passou a ser classificado como um tesoureiro informal do presidente.

A reportagem do jornal entrou em contato com a assessoria de imprensa do Instituto Lula no início da tarde desta segunda-feira. A assessoria do instituto, no entanto, informou que Lula e Okamotto não "quiseram comentar o depoimento". Posteriormente, a assessoria informou que Okamotto responderá às acusações "quando souber o teor do documento". Por enquanto, acrescentou a assessoria do instituto, Okamotto não se considera suficientemente informado para se pronunciar.

Mais revelações - À PGR, Valério afirma que Lula não apenas sabia do esquema como se beneficiou dele - tendo, inclusive, avalizado empréstimos ao PT. Segundo o jornal, Valério disse que os valores foram depositados na conta da empresa do ex-assessor da Presidência, Freud Godoy, conhecido como o "faz-tudo" de Lula na época – e ligado ao escândalo dos aloprados. O empresário declarou ainda que o ex-presidente deu "ok" para o PT tomar empréstimos com os bancos BMG e Rural para pagar deputados da base aliada. O aval teria sido dado em um reunião no Palácio do Planalto, que teve a presença do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, ambos também condenados pelo STF.

Na ocasião, Dirceu teria dito que Delúbio negociava em seu nome e no de Lula – o ex-ministro teria autorizado inicialmente pegar um empréstimo de 10 milhões de reais e, depois, mais 12 milhões. Além disso, conforme a reportagem do jornal, Marcos Valério também afirma no depoimento que Lula e o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negociaram com a Portugal Telecom no Palácio do Planalto o repasse de 7 milhões de reais para o PT – dinheiro que, segundo Valério, foi recebido por suas empresas de publicidade.

Segredos – Com a certeza de que iria para a cadeia, o empresário mineiro começou a revelar os segredos do mensalão em meados de setembro, como revelou VEJA. Em troca de seu silêncio, Valério disse que recebeu garantias do PT de que sua punição seria amena. Já sabendo que isso não se confirmaria no Supremo – que o condenou a mais de 40 anos por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro – e, afirmando temer por sua vida, ele declarou a interlocutores que Lula "comandava tudo" e era "o chefe" do esquema.

Pouco depois, o operador financeiro do mensalão enviou, por meio de seus advogados, um fax ao STF declarando que estava disposto a contar tudo o que sabe. No início de novembro, nova reportagem de VEJA mostrou que o empresário depôs à Procuradoria-Geral da República na tentativa de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios. Pela primeira vez, ele informou ter detalhes sobre outro caso escabroso envolvendo o PT: o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.

Joaquim Barbosa defende que MP investigue envolvimento de Lula com mensalão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, avalia que o Ministério Público (MP) deve investigar o suposto envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o escândalo do mensalão. Reportagem publicada nesta terça-feira (11/12) pelo jornal O Estado de S. Paulo detalha o depoimento que Marcos Valério, operador do mensalão, prestou à Procuradoria Geral da República, no qual ele disse que Lula autorizou a tomada dos empréstimos que financiaram o esquema de compra de apoio parlamentar. Segundo a publicação, parte do dinheiro foi utilizada para o pagamento de “despesas pessoais” de Lula.

Questionado se o MP tem que abrir um inquérito para apurar a participação do ex-presidente da República no mensalão, Joaquim Barbosa respondeu: “Creio que sim”. Ministros do STF têm dito que as revelações feitas por Valério em setembro não terão interferência no julgamento que deve ser concluído nesta semana, no qual Lula não é réu e Valério acabou condenado a mais de 40 anos de prisão. Barbosa preferiu não tecer comentários sobre o assunto e se limitou a dizer que tomou conhecimento do depoimento de forma “oficiosa”, e não oficial.

Caso o MP resolva investigar Lula, caberá a primeira instância do órgão abrir um possível inquérito, uma vez que o ex-presidente não tem a prerrogativa de foro de ser investigado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A assessoria de Lula não se manifestou sobre o assunto.

Marcos Valério afirma que Humberto Costa recebeu dinheiro do mensalão

O senador pernambucano Humberto Costa (PT) teria sido beneficiado com verba do mensalão, de acordo com o depoimento do publicitário Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República. O depoimento, concedido em setembro e revelado nesta terça-feira (11), afirma que Lula teria autorizado pessoalmente transferências para o esquema e que políticos ligados ao Governo, entre eles o então deputado federal Humberto Costa, que teriam sido beneficiados pelo "valerioduto".

Marcos Valério diz à Procuradoria-Geral que Lula recebia dinheiro do mensalão

Quando o escândalo do mensalão veio à tona, em 2005, o petista Humberto Costa, ainda ministro da Saúde e, foi um dos principais defensores do partido. Vice-líder do PT na Câmara, à época, o hoje líder do partido no Senado pertence à corrente petista Construindo um Novo Brasil (CNB), que tem como principal líder histórico José Dirceu - condenado pelo STF como "cabeça" do esquema do Mensalão.